Se você acompanhou o mercado de games nos últimos meses, deve ter sentido um clima de "velório" pairando sobre a marca verde. Mas, calma lá. Como diz o velho ditado sobre a monarquia: "O rei está morto, viva o rei!". No caso da Microsoft, o Xbox que conhecemos — aquele focado em ganhar a guerra de hardware na sala de estar — realmente parece estar respirando por aparelhos. No entanto, uma nova entidade está surgindo das cinzas, e ela não se parece em nada com um console tradicional.
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão doloroso. Os números não mentem, e a estratégia de "queimar os navios" de Satya Nadella mudou o DNA da divisão de jogos. Se você é um fã de longa data ou alguém que está pensando em entrar no ecossistema agora, precisa entender que as regras do jogo mudaram drasticamente.
Para entender o presente, precisamos olhar para os dados. A queda nas vendas de consoles Xbox foi, para dizer o mínimo, brutal. Enquanto a Sony e a Nintendo conseguiram segurar as pontas (mesmo com os desafios globais), a Microsoft viu sua participação de mercado encolher de forma alarmante. A Black Friday de 2025 foi descrita por analistas como a pior desde meados dos anos 90 para a marca.
Dê uma olhada na comparação de desempenho de mercado neste ano:
| Plataforma | Unidades Vendidas (2025) | Variação vs 2024 |
|---|---|---|
| Nintendo (Switch 1 + 2) | 18,3 milhões | + (Impulsionado pelo Switch 2) |
| PlayStation 5 | 10,5 milhões | -8% |
| Xbox (Series X/S) | 1,89 milhões | -40% |
Essa diferença coloca o Xbox em uma proporção de quase 3:1 em favor do PS5. É um cenário onde a concorrência direta em hardware se tornou quase insustentável. Mas por que isso aconteceu? A resposta envolve desde tarifas internacionais até uma mudança de obsessão no alto escalão da Microsoft.
Se você quer entender por que o Xbox parece estar em segundo plano, precisa olhar para o que Satya Nadella está fazendo com a Microsoft como um todo. O CEO da gigante de Redmond tornou-se obcecado por Inteligência Artificial Generativa. Internamente, o lema é "queimar os navios": sacrificar divisões tradicionais para realocar cada centavo e cada desenvolvedor no desenvolvimento de soluções de IA.
O Xbox, infelizmente, foi um dos que mais sentiu essa poda. Vimos demissões em massa, fechamento de estúdios renomados e o cancelamento de projetos que antes eram celebrados por Phil Spencer. A prioridade mudou. Para a diretoria, o Xbox não é mais apenas uma caixa embaixo da TV; é um provedor de conteúdo que deve gerar lucro imediato para alimentar a máquina de IA da empresa.
Não podemos ignorar o fator econômico. Em 2025, o retorno de Donald Trump à Casa Branca trouxe novas tarifas sobre produtos fabricados na China e Vietnã. Isso encareceu a produção de hardware para todos. A Sony e a Microsoft repassaram esses custos. No Brasil, o impacto foi sentido em dobro: além do hardware mais caro, as mensalidades do Xbox Game Pass sofreram reajustes violentos, chegando a dobrar de preço em alguns planos. O apelo do "serviço mais barato do mercado" evaporou da noite para o dia.
A Microsoft lançou uma campanha de marketing curiosa chamada "Isto é um Xbox". A ideia é simples: qualquer tela com conexão à internet e acesso ao Game Pass é um Xbox. Seja o seu smartphone, sua TV Samsung, um PC portátil como o ROG Ally ou até mesmo um console concorrente.
Sim, você leu certo. A estratégia agora é levar os grandes exclusivos da casa para o PlayStation 5 e para o sucessor do Nintendo Switch. Do ponto de vista financeiro, faz todo o sentido: você vende mais cópias e lucra em cima da base instalada gigante dos rivais. No entanto, isso cria um dilema para o consumidor: "Se eu posso jogar tudo no PlayStation, por que eu compraria um console Xbox?".
Apesar do cenário nebuloso nas vendas de consoles tradicionais, há uma luz no fim do túnel para quem gosta do ecossistema. Existem rumores fortes e movimentações da parceria com a AMD que indicam uma mudança radical na próxima geração.
A Microsoft pode estar planejando "fazer uma Valve". Imagine um console que, na verdade, é um PC com Windows completo, mas com uma interface simplificada para games — algo como uma "Steam Machine" que deu certo. Isso permitiria total liberdade: você poderia usar a loja da Microsoft, mas também instalar a Steam, Epic Games Store e usar o aparelho como um desktop para produtividade. Seria a união definitiva entre a versatilidade do PC e a praticidade do console.
Um ponto que a Microsoft precisa resolver urgentemente é sua relação com os desenvolvedores independentes. O aumento do custo dos dev kits (de US$ 1.500 para US$ 2.000) e a percepção de que o Game Pass "canibaliza" as vendas iniciais tornaram a plataforma menos atraente para os indies. Sem eles, o ecossistema perde a diversidade que o tornou rico na era do Xbox 360.
O Xbox como o conhecemos — um competidor direto de hardware que tentava superar a Sony em número de caixas vendidas — realmente está chegando ao fim. Mas a marca está se transformando em algo onipresente. A Microsoft está apostando que o futuro dos games não pertence a quem tem o console mais potente, mas a quem possui o conteúdo e a infraestrutura de nuvem mais robustos. É uma aposta arriscada, especialmente com a pressão interna para investir tudo em IA, mas é a única saída para uma divisão que não quer mais lutar uma guerra que já perdeu nos moldes tradicionais.
E você, o que acha dessa mudança? Ainda vê sentido em comprar um console Xbox ou o futuro é mesmo jogar em qualquer lugar via streaming e PC? Comente abaixo e vamos debater!
Não há planos oficiais para parar a fabricação, mas a Microsoft está mudando o foco. O hardware deve evoluir para algo mais próximo de um PC dedicado ou dispositivos portáteis, em vez de um console fechado tradicional.
O aumento deve-se a uma combinação de inflação global, custos de licenciamento de grandes títulos no "dia um" e a necessidade da Microsoft de tornar a divisão de games mais lucrativa para financiar outros investimentos, como IA.
Depende do seu perfil. Se você já possui uma biblioteca digital na plataforma ou valoriza o ecossistema da Microsoft, ainda é uma boa máquina. Porém, muitos usuários estão migrando para PCs gamers ou portáteis (como Steam Deck e ROG Ally) para ter mais liberdade.
A tendência é que a maioria dos grandes títulos se torne multiplataforma após um período de exclusividade temporária, seguindo a nova estratégia da Microsoft de maximizar o alcance de seus jogos.
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