Olá, entusiastas de tecnologia! Aqui é o Filipe Reis, e no UzTech a gente adora desvendar o universo digital. Hoje, vamos mergulhar em um tema que, à primeira vista, pode parecer contraintuitivo: a baixa adesão da Inteligência Artificial por uma parcela significativa dos brasileiros, mesmo com ferramentas como ChatGPT e Gemini ganhando os holofotes.
Afinal, com tanta inovação à disposição, por que ainda há tanta gente fora dessa onda? Uma pesquisa recente nos dá pistas valiosas, e o que descobrimos vai muito além de uma simples falta de interesse.
A pesquisa TIC Domicílios 2025, do Cetic.br, trouxe dados que nos fazem refletir: enquanto um a cada três brasileiros já utiliza IA generativa, uma fatia ainda maior – impressionantes 67% dos usuários de internet no país – ainda não incorporou essa tecnologia em sua rotina. Isso significa mais de 100 milhões de pessoas que, por diversos motivos, não estão aproveitando o potencial da IA. Um número e tanto, não acha?
Para entender melhor esse cenário, a diretora geral da Start by Alura, Thais Pianucci, aponta um fator central: o baixo nível de letramento digital. Segundo ela, a falta de competências digitais básicas impede que muita gente sequer perceba como a IA pode simplificar suas vidas ou trabalhos. É como ter uma superferramenta na mão, mas não saber para que serve cada botão.
Vamos desmembrar os principais motivos levantados pela pesquisa:
Este foi o motivo mais citado, com 76% dos não usuários de IA apontando a falta de interesse ou necessidade. Mas, como sempre, os dados demográficos nos contam uma história mais complexa. A pesquisa revela que essa justificativa é mais comum entre pessoas com maior renda e escolaridade. Por exemplo, 88% dos que ganham acima de 10 salários mínimos e 87% com ensino superior completo citaram isso.
Em contraste, entre usuários com menor renda (até 1 salário mínimo) ou menor escolaridade (educação infantil/analfabetos), a falta de interesse é menos expressiva (70% e 39%, respectivamente). Isso sugere que, para a elite econômica, a IA pode ser vista como algo "dispensável", enquanto para as camadas mais vulneráveis, o problema é bem mais fundamental. Como bem disse Pianucci, a inclusão digital ainda é tristemente desigual, limitando o acesso e o uso efetivo da tecnologia para muitos.
Aqui, a situação se inverte. Enquanto a elite talvez "opte" por não usar, uma parcela enorme da população simplesmente não sabe que essas ferramentas existem. 52% do total de não usuários citaram a falta de conhecimento como barreira. Esse número salta para 59% nas classes D e E, e atinge 61% nas regiões Norte e em áreas rurais.
As disparidades também são gritantes quando olhamos para a cor e raça: 69% dos indígenas, 59% das pessoas pretas e 53% das pardas e amarelas afirmaram não conhecer as ferramentas de IA, em comparação com 45% das pessoas brancas. Isso não é apenas uma questão de "não saber", mas um reflexo direto da infraestrutura digital desigual e da ausência de ações educacionais tecnológicas em certas áreas. É um ciclo vicioso que precisa ser quebrado com investimentos em capacitação e distribuição de conteúdo pedagógico.
58% dos brasileiros que não usam IA apontaram a falta de habilidade como um empecilho. E aqui, a idade fala alto. Enquanto 72% das pessoas com 60 anos ou mais citaram essa dificuldade, entre os jovens de 16 a 24 anos, esse número cai para 41%. É um dado esperado, mas que ressalta a necessidade de abordagens diferentes.
Para os nossos "coroas" – e digo isso com todo respeito e carinho –, Thais Pianucci sugere um ensino mais simplificado, focado em conceitos básicos, pensamento lógico e culturas digitais essenciais. A ideia é usar exemplos práticos e contextos cotidianos para mostrar que a tecnologia não é um bicho de sete cabeças, mas uma ferramenta para facilitar o dia a dia.
Este é um ponto crucial e cada vez mais relevante: 63% dos não usuários têm receios relacionados à segurança e privacidade. Curiosamente, essa preocupação é maior entre adultos de 45 a 59 anos (71%) e entre indivíduos com ensino superior completo (68%). Parece que quanto mais informado você é, mais você desconfia – e com razão!
A especialista da Alura valida esse medo, destacando a baixa transparência nas políticas de privacidade de algumas empresas de IA. É um alerta importante: a confiança na tecnologia é construída com transparência e responsabilidade. O letramento digital, nesse contexto, não é apenas sobre "saber usar", mas também sobre "saber questionar" e "exigir transparência" para um uso responsável e crítico.
A não adoção da Inteligência Artificial por uma parcela significativa dos brasileiros é um problema multifacetado, enraizado em questões sociais, econômicas e educacionais. Não se trata apenas de "não querer", mas de "não saber", "não poder" ou "não confiar". Reduzir essas lacunas exige um esforço conjunto: ampliar o acesso à infraestrutura digital de qualidade, investir pesado em programas de capacitação tecnológica para todas as idades e classes sociais, e criar campanhas de conscientização que desmistifiquem a IA, mostrando seu valor real no dia a dia.
É um trabalho de formiguinha que precisa de parcerias entre os setores público, privado e a sociedade civil para que, um dia, a Inteligência Artificial seja uma ferramenta de inclusão, e não mais um divisor. Afinal, a tecnologia só é verdadeiramente poderosa quando está ao alcance de todos.E você, qual sua experiência com IA? Você usa? Por que não usa? Compartilhe sua opinião nos comentários!
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