Rastreamento do Pix: a nova regra que vai dificultar a vida dos golpistas

O Banco Central tornou obrigatório o rastreamento estendido do Pix (MED). Saiba como a tática follow the money ajuda a recuperar dinheiro de golpes digitais.
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Se você costuma acompanhar as notícias sobre segurança digital, sabe que o Pix, apesar de ser a maior revolução bancária do Brasil, também se tornou o alvo favorito de criminosos. A boa notícia é que, a partir desta segunda-feira (2), o jogo começou a virar. O Banco Central (BC) implementou a obrigatoriedade do rastreamento estendido do Pix para todas as instituições financeiras, uma mudança que promete dar muito mais dor de cabeça para quem vive de aplicar golpes.

Resumo rápido:

  • O novo sistema permite que o dinheiro seja bloqueado mesmo após passar por várias contas diferentes.
  • A medida visa combater a pulverização de recursos, técnica usada para esconder dinheiro roubado em contas laranjas.
  • Indicado para todos os usuários do Pix que desejam mais segurança e chances reais de reaver valores em casos de fraude.

O que muda com o rastreamento estendido do Pix?

Até pouco tempo atrás, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) — aquela ferramenta que você aciona quando percebe que caiu em uma cilada — tinha as mãos atadas. Ele conseguia enxergar e bloquear o dinheiro apenas na primeira conta para onde ele era enviado. O problema? Os golpistas são rápidos. Em questão de segundos, eles transferiam o montante para uma segunda, terceira ou décima conta, tornando o rastro praticamente invisível para o sistema bancário tradicional.

Com a nova regra, essa limitação técnica deixa de existir. Agora, o sistema utiliza a estratégia que chamamos de follow the money (siga o dinheiro). Se o valor sair da sua conta e for pulverizado em diversas outras instituições, o mecanismo consegue marcar essa transação como suspeita e perseguir o dinheiro onde quer que ele vá, permitindo o congelamento em qualquer etapa da cadeia.

A tática da pulverização e o fim da linha para as contas laranjas

Para quem não está familiarizado com o termo, a pulverização é o método clássico de lavagem de dinheiro rápida. O criminoso recebe o seu Pix em uma conta alugada (a famosa conta laranja) e imediatamente fatia esse valor em pedaços menores, enviando-os para várias outras contas. Isso criava uma barreira burocrática e técnica imensa para a recuperação.

Com a implementação total das novas diretrizes, essa tática perde força. O sistema financeiro agora atua de forma unificada. Não importa se o dinheiro mudou de banco ou de titularidade cinco vezes em um minuto; o rastreamento é sistêmico e automático.

Comparativo: a evolução da segurança no Pix

Para facilitar o entendimento, veja como o sistema funcionava e como ele passa a operar agora que a adesão deixou de ser facultativa e se tornou obrigatória:

FuncionalidadeModelo anterior (MED simples)Novo modelo (Rastreamento estendido)
Alcance do bloqueioApenas a primeira conta de destino.Múltiplas camadas (segue o fluxo do dinheiro).
Eficácia contra pulverizaçãoBaixa (dinheiro sumia rapidamente).Alta (rastreia transferências subsequentes).
Adesão dos bancosFacultativa (nem todos participavam).Obrigatória para todas as instituições.
Foco principalErros operacionais e fraudes simples.Combate a organizações criminosas e golpes complexos.

Por que o Banco Central tomou essa decisão agora?

A resposta curta é: os números são assustadores. Em 2024, as fraudes via Pix geraram um prejuízo de nada menos que R$ 4,9 bilhões. Isso representa um salto de 70% em relação ao ano anterior. Além disso, a taxa de recuperação de valores contestados em 2025 foi de apenas 9%. Ou seja, de cada 100 reais roubados, apenas 9 voltavam para o bolso da vítima.

Essa baixa eficiência estava minando a confiança no sistema. O BC entendeu que precisava dar poderes reais aos bancos para que eles pudessem agir na mesma velocidade que os criminosos. Ao tornar o rastreamento estendido obrigatório, o regulador nivela o jogo e obriga até mesmo as instituições menores ou bancos digitais menos robustos a investirem em tecnologia de segurança.

O que você, usuário, precisa fazer?

Aqui vem a parte interessante: você não precisa fazer absolutamente nada no seu aplicativo. Não há nenhum botão para ativar, nem atualização de termos de uso para aceitar. A proteção é feita nos bastidores, no core do sistema financeiro.

No entanto, o seu comportamento em caso de golpe continua sendo o fator mais importante para o sucesso da recuperação. Se você perceber que foi vítima de uma fraude, o tempo é o seu maior inimigo. Você deve:

  • Acessar a área Pix do seu aplicativo bancário imediatamente.
  • Procurar pela opção do MED (Mecanismo Especial de Devolução).
  • Registrar a contestação detalhando o ocorrido.

As regras do Banco Central exigem que os bancos ofereçam esse acesso de forma destacada e permitam que você faça a denúncia sem precisar esperar por um atendimento humano demorado. Quanto mais rápido o alerta for dado, mais rápido o sistema follow the money entra em ação.

O que o MED não cobre?

É fundamental alinhar as expectativas. O rastreamento estendido é uma ferramenta de segurança pública e bancária, não um seguro contra qualquer erro. Ele não se aplica aos seguintes casos:

  • Transferências feitas por engano (errou o CPF ou o valor).
  • Desistência de compras legítimas (comprou um produto e se arrependeu).
  • Problemas comerciais (o produto chegou com defeito, por exemplo).

Nesses casos, a resolução deve ser feita diretamente com quem recebeu o dinheiro ou através dos canais de defesa do consumidor. O MED é exclusivo para crimes, golpes e fraudes comprovadas.

Concluindo…

A obrigatoriedade do rastreamento estendido é um passo gigantesco para a maturidade do Pix. Embora não seja uma solução milagrosa que vá acabar com os golpes da noite para o dia, ela tira dos criminosos a sua maior vantagem: a velocidade de ocultação do dinheiro. Agora, com os bancos trabalhando em conjunto e o sistema monitorando cada passo do recurso desviado, as chances de você ver seu dinheiro de volta aumentam consideravelmente.

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FAQ

O que é o rastreamento estendido do Pix?

É uma atualização no Mecanismo Especial de Devolução (MED) que permite aos bancos rastrear e bloquear dinheiro de golpes mesmo que ele tenha sido transferido para várias outras contas (camadas) sucessivas.

O Pix vai ficar mais caro por causa disso?

Não. Essa é uma mudança nas diretrizes de segurança do Banco Central para as instituições financeiras e não gera taxas adicionais para o usuário final.

Como funciona o bloqueio na prática?

Quando uma vítima aciona o MED, o sistema marca aquela transação. Se o golpista transferir o dinheiro para outra conta, o banco de destino é alertado e pode congelar o valor preventivamente para análise.

Vale a pena acionar o MED em qualquer situação?

Vale a pena sempre que houver uma fraude ou golpe confirmado. Para erros de digitação ou arrependimento de compra, o MED não é a ferramenta indicada.

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